Invista em Conhecimento: O Melhor Ativo Não Financeiro

Invista em Conhecimento: O Melhor Ativo Não Financeiro

No cenário econômico atual, muitos buscam riqueza em ações, títulos e criptomoedas, mas o verdadeiro tesouro está em algo mais profundo e duradouro.

O conhecimento, como capital humano imaterial e estratégico, supera os ativos financeiros em retorno e impacto, sendo a base para um desenvolvimento sustentável e inclusivo.

Este artigo explora por que investir em ciência, tecnologia e inovação (CT&I) é a chave para o futuro do Brasil, especialmente após anos de queda e uma recente recuperação.

Ao contrário dos mercados voláteis, o conhecimento oferece juros compostos vitalícios em empregos e resiliência, conforme destacado por líderes nacionais.

Vamos mergulhar nos dados, históricos e perspectivas que comprovam essa tese.

Histórico de Investimentos em CT&I no Brasil: Quedas e Recuperação

O Brasil já foi um exemplo de investimento em conhecimento, mas enfrentou desafios significativos nas últimas décadas.

Em 2014, atingimos um pico com R$ 38 bilhões no "Orçamento do Conhecimento", valorizando a pesquisa e o desenvolvimento.

No entanto, de 2015 a 2023, ocorreu um declínio preocupante, com perdas acumuladas de R$ 117 bilhões corrigidos pela inflação.

Essa queda refletiu-se em números concretos:

  • Investimentos federais em P&D caíram para 76% do nível de 2015.
  • A produção científica brasileira reduziu 7,2% em 2023, com 69.656 artigos publicados.
  • O Brasil ficou abaixo da média mundial, investindo 1,26% do PIB em CT&I versus 1,79% global.

Esses dados mostram uma crise de retenção de talentos e inovação, com o país caindo do 45º para o 70º lugar em rankings globais.

Mas a partir de 2023, iniciou-se uma virada histórica, com injeções anuais médias de R$ 10 bilhões até 2025.

Essa recuperação é um sinal de esperança, reposicionando o conhecimento como motor do desenvolvimento nacional.

Investimentos Recorde em 2025: Números e Impactos

Os investimentos em CT&I no Brasil atingiram níveis sem precedentes em 2025, demonstrando um compromisso renovado com o futuro.

A execução orçamentária recorde, como os R$ 8,39 bilhões da Finep no primeiro semestre, evidencia essa mudança.

Para clareza, aqui está uma tabela com os principais programas e seus impactos:

Esses investimentos não são apenas números, mas ferramentas para soberania e soluções práticas, como destacou a Ministra Luciana Santos.

Eles representam um turning point na política nacional, colocando a ciência no centro do desenvolvimento.

Benefícios do Conhecimento como Ativo Não Financeiro

Investir em conhecimento gera retornos tangíveis que vão além dos financeiros, tocando todos os aspectos da vida.

Os benefícios econômicos são imediatos, com a geração de empregos qualificados e o impulso à inovação empresarial.

Por exemplo, a Finep teve um aumento de 232,8% nas aprovações em 2024, enquanto a Embrapii registrou um recorde com R$ 1 bilhão em projetos.

Além disso, o conhecimento fortalece a saúde e a sociedade, como visto em avanços médicos:

  • Desenvolvimento de testes moleculares para câncer de mama usando genômica e IA.
  • Criação de vacinas e medicamentos que salvam vidas.
  • Monitoramento de desastres naturais, cobrindo 73% da população brasileira.

No plano pessoal, a educação precoce e o acesso ao aprendizado transformam vidas, com iniciativas como a Olimpíada de Ciências atraindo 5 milhões de inscritos.

Contrastando com os investimentos financeiros, onde a base da B3 cresceu 80% desde 2020, o conhecimento oferece estabilidade e crescimento contínuo.

Enquanto 67% dos brasileiros querem aprender sobre investimentos, o conhecimento amplo em CT&I é o pré-requisito para decisões inteligentes e duradouras.

Os gargalos entre academia e mercado persistem, mas leis como o Marco CT&I de 2016 buscam superá-los, promovendo uma sinergia vital.

O retorno é claro: como afirmou a Ministra, "ciência para não ser mero consumidor de tecnologia estrangeira", garantindo autonomia nacional.

Estratégias Nacionais e Futuro

Para consolidar os ganhos, o Brasil precisa de estratégias robustas que ampliem o investimento em conhecimento e integrem setores.

A Estratégia Nacional de CT&I 2024-2034 estabelece quatro eixos fundamentais para o progresso:

  • Expansão do sistema de CT&I, fortalecendo instituições e infraestrutura.
  • Inovação empresarial, incentivando parcerias entre universidades e indústrias.
  • Projetos críticos em áreas como semicondutores e inteligência artificial.
  • Desenvolvimento social, assegurando que os benefícios do conhecimento alcancem todos os cidadãos.

Essas ações requerem colaboração contínua entre setores público e privado, além de um foco na retenção de talentos.

A fuga de cérebros é um desafio real, mas iniciativas como a repatriação mostram que é possível reverter essa tendência.

O chamado à ação é duplo: individual e coletivo.

Pessoalmente, cada um pode investir em cursos, participar de olimpíadas científicas e buscar aprendizado constante.

Coletivamente, é essencial defender políticas públicas que priorizem a CT&I, assegurando financiamento e apoio.

O Brasil tem o potencial de se tornar um líder global no século XXI, mas isso depende de mais ciência e inovação integradas.

Os dados recentes de 2025 comprovam que a recuperação é possível, com investimentos recorde gerando impacto real.

Como resumiu Lula, "o maior patrimônio de uma nação é a mente dos cientistas", enfatizando o valor imensurável do conhecimento.

Portanto, ao planejar o futuro, lembre-se: enquanto ativos financeiros podem flutuar, o conhecimento construído hoje colhe frutos para sempre.

Invista em si mesmo e no país, pois essa é a aposta mais segura e transformadora que se pode fazer.

Matheus Moraes

Sobre o Autor: Matheus Moraes

Matheus Moraes é redator financeiro no agoraresolve.net, comprometido em simplificar tópicos complexos como crédito, orçamento pessoal e planejamento financeiro. Seu objetivo é capacitar os leitores a tomar decisões financeiras informadas e assumir o controle de seu futuro financeiro.